O Jogo da Confiança
Por que as pessoas cooperam? Quando vale a pena confiar em alguém — e quando não vale? Vamos descobrir jogando o Dilema do Prisioneiro, a ideia mais famosa da teoria dos jogos.
O que é teoria dos jogos?
Teoria dos jogos é o estudo das decisões quando o resultado não depende só de você — depende também do que os outros decidem. E não é só sobre videogame: vale para qualquer situação em que pessoas (ou bichos, ou empresas, ou países) precisam escolher o que fazer pensando no que os outros vão fazer.
Os cientistas chamam cada pessoa de jogador, as opções de estratégias e o que cada um ganha de recompensa. Vamos começar pelo jogo mais famoso de todos.
O dilema do vaso quebrado
A versão original fala de dois ladrões presos pela polícia. A nossa é mais caseira: você e seu irmão (ou irmã) estavam jogando bola dentro de casa e — CRASH! 💥 — o vaso favorito da família virou caquinhos.
Seus pais não viram quem foi. Então colocam cada um num quarto separado, sem poder conversar, e fazem a mesma proposta para os dois:
- Se os dois ficarem quietos, ninguém tem certeza de nada: cada um fica 1 dia sem celular.
- Se um dedurar e o outro ficar quieto, quem dedurou fica livre (0 dias) e o outro fica 5 dias sem celular.
- Se os dois se dedurarem, cada um fica 3 dias sem celular.
Você está sozinho no quarto. Não dá pra combinar nada com seu irmão. O que você faz?
Vamos analisar o jogo com calma, uma situação de cada vez. Olhe só a coluna destacada.
Se seu irmão FICAR QUIETO, o que é melhor pra você?
Só que na vida real a gente quase nunca decide uma vez só. Você convive com seu irmão todo dia, com os colegas o ano inteiro. Quando o jogo se repete, tudo muda. Vamos testar!
A máquina da confiança
Imagine uma máquina mágica. Você pode colocar 1 moeda 🪙 nela — e ela entrega 3 moedas para o outro jogador. O outro jogador tem a mesma escolha, ao mesmo tempo, sem saber o que você fez.
Agora você vai jogar contra 5 jogadores misteriosos. Cada um tem uma personalidade diferente, e você não sabe quantas rodadas cada partida vai durar. Tente terminar com o máximo de moedas!
Primeira rodada! O que você faz?
Conheça os personagens
Cada personagem segue sempre a mesma regra para decidir o que fazer. Em teoria dos jogos, essa regra se chama estratégia. Você já conheceu alguns — aqui estão todos:
Na primeira rodada ele coopera. A partir daí, faz exatamente o que você fez na rodada anterior. Se você foi legal, ele é legal. Se você trapaceou, ele trapaceia de volta — mas perdoa assim que você voltar a cooperar.
Não importa o que você faça, ele nunca coloca moeda na máquina. Só quer levar vantagem.
Coloca a moeda na máquina toda vez, mesmo que você trapaceie mil vezes seguidas. Muito gentil… e muito fácil de enganar.
Começa cooperando e continua cooperando… até você trapacear uma vez. Aí ele nunca mais esquece: trapaceia até o fim do jogo.
Começa com cooperar, trapacear, cooperar, cooperar — só pra ver como você reage. Se você trapaceou de volta em algum momento, ele vira um Copiador. Se você nunca reagiu, ele conclui que você é bobo e trapaceia pra sempre.
Parecido com o Copiador, mas dá uma segunda chance. Uma trapaça sozinha pode ter sido um engano, então ele só revida se você trapacear duas vezes seguidas.
Cada rodada é sorte: metade das vezes coopera, metade trapaceia. Impossível prever!
O grande torneio
Em 1980, o cientista Robert Axelrod teve uma ideia genial: convidou especialistas do mundo todo para mandar programas de computador que jogassem a máquina da confiança uns contra os outros, 200 rodadas por partida. Chegaram estratégias complicadíssimas… e quem ganhou foi o programa mais curto de todos: o Copiador (em inglês, Tit for Tat, ou “olho por olho”). Ele fez um segundo torneio, com ainda mais participantes, e o Copiador ganhou de novo!
Agora é a sua vez de organizar um torneio. Mas antes, dê seu palpite:
Quem sobrevive na cidade?
Agora imagine uma cidade com 25 moradores. Todo mundo joga a máquina da confiança com todo mundo. No fim do dia, os 5 que fizeram menos moedas se mudam da cidade 🧳, e os 5 que fizeram mais moedas ganham um aprendiz que copia o jeito deles de jogar.
Isso se repete dia após dia — cada dia é uma geração. É parecido com o que acontece na natureza: o que funciona se espalha, o que não funciona some. Quem vai dominar a cidade? Comece pelo cenário 1 e vá avançando.
Numa cidade cheia de Bonzinhos 😇, chegaram 5 Trapaceiros 😈 e 5 Copiadores 🦜. Quem você acha que vai dominar a cidade?
- Copiador5
- Trapaceiro5
- Bonzinho15
O que aprendemos
Perguntas para conversar em família 💬
- 1.Qual personagem você acha que você é? E na escola, você joga do mesmo jeito?
- 2.Lembra de alguma vez em que todo mundo ganharia se cooperasse, mas alguém trapaceou? O que aconteceu depois?
- 3.Por que os Bonzinhos sumiram da cidade, mesmo sendo tão legais? Ser bonzinho é ruim?
- 4.Se você soubesse que era a última rodada, você trapacearia? Por quê?
- 5.Onde mais aparece o dilema do prisioneiro? (Dica: pense em lixo na rua, fila, times de futebol, países…)